N°13 / Miscellanées

Varia/ Chronique d’une démission annoncée

Juremir Machado Da Silva

Résumé

Juremir Machado da Silva nous permet de diffuser son texte (déjà publié ici), son témoignage de la censure perpétrée par le régime de Jair Bolsonaro (2019-2022) à l’encontre de la critique et du pluralisme des journalistes brésiliens. La coordination de Rusca l’en remercie chaleureusement et espère que ce témoignage contribue à sa manière à alerter sur les dangers des populismes. Le texte est présenté en version originale d'abord puis traduite ensuite.

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Par Juremir Machado da Silva, journaliste, traducteur, écrivain, professeur de communication à l’Université Pontificale de Porto Alegre (PUC-RS), et chercheur au Centre National de Recherche Scientifique du Brésil.

Crônica de uma demissão anunciada

Gabriel García Márquez não gostava que parafraseassem o título do seu famoso livro. Sou mais um a desobedecer. Entrei no Correio do Povo em 1º de setembro de 2000. Fui demitido em 3 de janeiro de 2022. Foram mais de 21 anos como colunista. No começo, uma vez por semana. A partir de 2004, duas vezes por semana. De 2007 até a última segunda-feira, todos os dias. Quatorze anos sem uma só falha. Nesse meio tempo, trabalhei na TV Record-RS, na Rádio Guaíba, onde fiz, com a Taline Oppitz, o programa Esfera Pública por dez anos e atuei também no esporte e no Bom Dia, matinal apresentado por Rogério Mendelski. Eu me imaginava muito velhinho ainda trabalhando ali. Até 2019, fui feliz. Havia liberdade e pluralismo. Eu me sentia muito vivo e forte.

Ser demitido tem sempre algo de humilhante. É a minha quarta humilhação. Fui dispensado da Zero Hora (1995), da IstoÉ (1996), da Rádio Guaíba (2019) e agora do Correio do Povo. A gente inevitavelmente se pergunta: o que fiz de errado? Neste caso, nada. Não menti e não criei problemas para a empresa. Ah, não votei em Jair Bolsonaro! A chegada dele ao poder mudou tudo no Grupo Record-RS, proprietário da Rádio Guaíba e do Correio do Povo. Antes disso, eles permitiam fartamente que se fizesse jornalismo, com respeito ao contraditório e sem misturar religião e política com as lides diárias da rotina jornalística. Nem tudo era perfeito. Nunca é. Mas era bom. Meu salário havia melhorado bastante. As oportunidades eram muitas.

Em 2010, fui convidado a criar um programa na Rádio Guaíba. Surgia o Esfera Pública, que se tornaria uma marca de prestígio da emissora. Quando me demitiram, tínhamos audiência, faturamento e reconhecimento. Políticos de direita e esquerda aplaudiam a amplitude do programa. Nele, todo mundo falava. Era ponto e contraponto. Então, em 2020, tive Covid, peguei na primeira leva dos infectados em Porto Alegre, fui hospitalizado, fiquei com sequelas, custei a recuperar a voz, passei mais de um mês afastado e, quando voltei, ainda combalido e com um fio de voz, programei uma entrevista com o ex-presidente Lula, depois da prisão. Seria para nós um belo feito jornalístico com possível repercussão nacional pelos fatos da época. Dez minutos antes de entrarmos no ar, em meio a muita tensão, a entrevista foi derrubada por ordem superior. Nando Gross, nosso chefe imediato, mostrou-se gigante no episódio tentando garantir a entrevista. A partir dali nossas demissões eram certas. Era só questão de tempo e de desgaste.

Depois que Nando saiu, fiquei à espera da minha degola. Todo dia tínhamos de submeter o rol de entrevistados ao diretor da rádio. Nomes entraram numa lista de proibidos. Depois de uma entrevista com a deputada Fernanda Melchionna (PSOL) soou o gongo para mim. A sequência era uma entrevista com o deputado Jerônimo Goergen (PP), mas a conexão da internet falhou, a conversa ficou mais curta e cortada. Em seguida, recebi um telefonema do departamento de Recursos Humanos pedindo o atestado médico de minha liberação para o trabalho depois da Covid. A justificativa era que tudo deveria estar na minha pasta para o caso de alguma fiscalização. Na verdade, era para processar a minha demissão sem deixar alguma brecha para alegações na justiça do trabalho.

A demissão foi decidida numa terça-feira, mas uma regra relativa à pandemia protegia todo mundo até a sexta-feira seguinte. Então me convocaram para uma reunião na sexta. Minha última apresentação do Esfera Pública terminou ao som de “apesar de você”, de Chico Buarque. Ficavam para trás grandes amigos, profissionais fantásticos, caras que entendem muito de esporte, de política, de cultura, da vida. Ficavam para trás dez anos ao lado da maravilhosa Taline Oppitz. Sofri muito.

Sobrevida no Correio do Povo

Há pessoas que lutam em meio à tempestade. Que grande diretor de redação é Telmo Flor, o homem que toca o dia a dia editorial do Correio do Povo. Uma figura humana extraordinária. As empresas são multifacetadas. Pessoas surgem e marcam as organizações com suas escolhas particulares. A partir da chegada de Jair Bolsonaro ao poder os pastores que comandam a Rádio Guaíba e o Correio do Povo começaram a se transformar. Aos poucos eles se radicalizaram como bolsonaristas cada vez mais fanáticos. Todo pluralismo foi murchando. Para continuar no jornal, baseado na minha “teoria da trincheira”, ficar dentro para dizer coisas importantes, mesmo sem poder dizer tudo, fui aceitando dizer cada vez menos. A política tornou-se tema interditado. Críticas a Bolsonaro ficaram quase impossíveis. Virei um malabarista diário.

A censura cresceu. Eu tinha um podcast pendurado no site do jornal. Gravei um comentário quando Bolsonaro disse aquelas asneiras sobre o feijão e o fuzil, que idiota seria quem mandava comprar feijão, etc. O podcast foi imediatamente extinto. Fui me aprofundando na autocensura. Na época da família Ribeiro como proprietária do jornal não se criticava produtor rural. Produtor de soja, nem pensar. Com os novos donos transformados em cruzados bolsonaristas a lista de interdições aumentou. Explorei mais o meu lado cronista e até a minha veia poética. Os poucos temas bons passaram a ser comentários de filmes adequados ao momento sombrio que vivemos, como o tragicômico “Não olhe para cima”. Dava para falar de negacionismo sem precisar citar Bolsonaro, com o leitor compreendendo que era sobre ele.

E assim, tendo muitos leitores, levando patrocinadores, dando lucro e prestígio ao jornal, fazendo com Luiz Gonzaga Lopes o maravilhoso Caderno de Sábado, ressuscitado depois de décadas morto, fui demitido no começo deste novo ano. O sinal veio com a alteração justamente do bem-sucedido CS. De repente, veio a ordem de mudar tudo, de criar algo curto e de entretenimento. Salvamos duas páginas fazendo concessões. Os patrocinadores manifestaram em encontros o desejo de que o caderno fosse mantido como era. O patrão fez discurso na Biblioteca Pública prometendo respeitar as demandas. Na semana seguinte, porém, o caderno mudou. Era perder os anéis ou as mãos.

Celso Dias, amigo que me viu cair muitas vezes e sempre fez boas frases para definir meus tombos, cravou quando eu lhe disse que não havia feito qualquer provocação: “Tu és a provocação, Juremir”. O grupo Record se prepara para uma luta inglória: reeleger o negacionista e incompetente Jair Bolsonaro. Apesar de insignificante, fui visto como uma pedrinha no caminho. O bispo não se dignou a me dar qualquer explicação. Estrategicamente alegou que eles tinham o direito de querer mudar. Não detestarei o Correio do Povo, como não detesto a Rádio Guaíba nem a Zero Hora. São pessoas que decidem. E passam O maior mal que já vi o Brasil experimentar se chama Jair Bolsonaro, com a doença correspondente, o bolsonarismo. Vai passar. Ficará o estrago.

Texte VF :

Chronique d’une démission annoncée

Gabriel García Márquez n'aimait pas que le titre de son célèbre livre soit paraphrasé. Je suis un de plus à désobéir. J'ai rejoint le Correio do Povo [Courrier du Peuple, quotidien de Porto Alegre, ndlr] le 1er septembre 2000. J'ai été licencié le 3 janvier 2022. Soit plus de vingt et un ans en tant que chroniqueur. Au début, une fois par semaine. Deux fois par semaine entre 2004 et 2007. Quotidiennement ensuite. Quatorze années sans un seul problème. Entre-temps, j'ai travaillé à TV Record-RS, à Rádio Guaíba, où j’ai animé pendant dix ans, avec Taline Oppitz, l’émission « Esfera Pública » [« Sphère publique », ndlr] , j'ai aussi tenue une rubrique sur le sport et, dans Bom Dia, [Bonjour, ndlr] une émission matinale présentée par Rogério Mendelski. Je m'imaginais alors très vieux travaillant encore là-bas. Jusqu'en 2019, j'étais heureux. Liberté et pluralisme assuraient mes pas. Je me sentais vivant et fort.

Il y a toujours quelque chose d’humiliant dans le fait de subir un licenciement. J’en suis à ma quatrième humiliation. J'ai été licencié de Zero Hora [Minuit, Sans heure, quotidien de Porto Alegre, ndlr] (1995), d’IstoÉ (1996), de Rádio Guaíba (2019) et maintenant du Correio do Povo. On se demande inévitablement : qu'est-ce que j'ai fait de mal ? Dans ce cas, rien. Je n'ai pas menti et je n'ai pas créé de problèmes pour l’entreprise. Ah, je n’ai pas voté pour Jair Bolsonaro ! Son arrivée au pouvoir a tout changé dans le groupe Record-RS, propriétaire de Rádio Guaíba et Correio do Povo. Avant cela, les propriétaires et décideurs de ce consortium de médias permettaient largement de faire du journalisme, dans le respect du contradictoire et sans mêler religion et politique aux tâches quotidiennes de la routine journalistique. Tout n'était pas parfait. Ça ne l’est jamais. Mais il c’était bien. Mon niveau de salaire était devenu confortable. Les opportunités étaient nombreuses.

En 2010, j'ai été invité à créer une émission sur Rádio Guaíba. « Esfera Pública » est alors née, qui deviendra une marque prestigieuse du diffuseur. Quand ils m'ont licencié, nous avions de l’audience, des profits et de la reconnaissance. Les politiciens de droite et de gauche ont reconnu et applaudi l'envergure du programme. Tout le monde s’y exprimait. Opinion et contre-opinion. 

En 2020, j'ai eu la Covid, je l'ai attrapée lors de la première vague de contamination à Porto Alegre, j'ai été hospitalisé, j'ai eu des séquelles, j'ai mis du temps à retrouver ma voix, j'ai passé plus d'un mois éloigné de mon travail de journaliste et, lorsque je suis revenu, encore faible et avec un fin filet de voix, j'ai programmé un entretien avec l’ancien président Lula après son séjour en prison. Cela aurait été pour nous une belle prouesse journalistique avec un éventuel retentissement national dû aux événements du moment. Dix minutes avant de passer à l’antenne, dans une ambiance très tendue, l’interview a été annulé par un ordre venu d’en haut. Lors de cet épisode, Nando Gross, notre chef direct, s’est brillamment engagé pour tenter de garantir la faisabilité de l’entretien. Mais rien n’y fit. Dès lors, nos licenciements étaient certains. Ce n’était qu’une question de temps et d’usure.

Après le licenciement de Nando Gross, j'ai attendu ma décapitation. Chaque jour, nous devions soumettre la liste des personnes interviewées au directeur de la radio. Des noms sont entrés dans une liste de conjurés. Après un entretien avec la députée Fernanda Melchionna (PSOL), le gong a sonné pour moi. Il y eut ensuite un entretien avec le député Jerônimo Goergen (PP), mais la connexion internet a flanchée, la conversation est devenue défaillante et a été écourtée. J'ai reçu alors un appel du service des ressources humaines demandant le certificat médical m’autorisant à reprendre le travail après avoir contracté la Covid et bénéficié du traitement de mon affection. La demande était justifiée par l’idée que tout devait être consigné dans mon dossier en cas d’inspection. En fait, il s’agissait de préparer mon licenciement de manière à ne laisser aucune place à des allégations possibles devant le tribunal des prud’hommes. 

Le licenciement a été décidé un mardi, mais une règle concernant la pandémie a protégé tout le monde jusqu'au vendredi suivant. Ils m'ont alors convoqué ce jour-là à une réunion. Ma dernière présentation de « Esfera Pública » s'est terminée au son de « apesar de você » [« malgré toi », ndlr] de Chico Buarque. De grands amis sont restés, des professionnels fantastiques, des gars qui comprennent beaucoup de choses sur le sport, la politique, la culture, la vie. Dix ans étaient passés en compagnie de la merveilleuse Taline Oppitz. J’ai beaucoup souffert.

La survie s’est faite un temps au Correio do Povo. Il y a des gens qui se battent au milieu de la tempête. Quel grand directeur éditorial que Telmo Flor, l'homme qui dirige l’édition quotidienne du journal. Un homme extraordinaire. Les entreprises sont multiformes. Des personnes émergent et marquent les organisations par leurs décisions. Après l'arrivée au pouvoir de Jair Bolsonaro, les pasteurs qui dirigent Rádio Guaíba et Correio do Povo ont commencé à se transformer. Peu à peu, ils se radicalisèrent en tant que bolsonaristes de plus en plus fanatiques. Le pluralisme s’est progressivement éteint, jusqu’à disparaitre définitivement. Pour rester dans le journal, selon ma « théorie des tranchées », pour persister en son sein dans le but de dire des choses qui me paraissaient importantes, même sans pouvoir tout dire, j'ai accepté d’en dire de moins en moins. La politique est devenue un sujet tabou, interdit, prohibé. Les critiques à l’encontre de Bolsonaro sont devenues quasiment impossibles. J’étais devenu un jongleur au quotidien.

La censure n’a cessé d’augmenter. Mon podcast sur le site Web du journal a été suspendu. J’ai enregistré un commentaire lorsque Bolsonaro a dit ces bêtises sur les haricots et le fusil, celles qui affirment que celui qui achète des haricots plutôt qu’une arme serait un idiot, etc.[1]. Le podcast a immédiatement été supprimé. Je suis allé plus loin dans l’autocensure. À l’époque où la famille Ribeiro était propriétaire du journal, les producteurs ruraux n’étaient pas critiqués. Surtout pas les producteurs de soja. Avec les nouveaux propriétaires transformés en croisés bolsonaristes, la liste des interdictions s’est allongée. J’explorais davantage mon penchant de chroniqueur et même ma veine poétique. Les quelques bons thèmes encore explorables étaient devenus des commentaires de films adaptés au moment sombre que nous vivions, comme le tragi-comique « Don’t look up ». Il était possible de parler de négationnisme sans avoir à citer Bolsonaro, le lecteur comprenant qu’il s’agissait de lui.

Et donc, malgré les nombreux lecteurs et sponsors, malgré les profits et le prestige, malgré la réalisation avec Luiz Gonzaga Lopes du merveilleux « Caderno de Sábado », ressuscité après des décennies, j’ai été licencié au début de l’année 2022. Le signal est apparu lors des transformations dudit « Cahier ». Tout à coup, l’ordre a été donné de tout changer, de créer quelque chose de court et de divertissant. Nous avons alors fait l’effort de réduire le dossier culturel à deux pages en acceptant quelques concessions d’importance. Les sponsors avaient pourtant manifesté leur souhait que le « Cahier » soit conservé tel que nous l’avions programmé. Le patron du journal avait même prononcé un discours à la Bibliothèque Publique en promettant de respecter ces demandes et revendications. En dépit de ces déclarations de circonstance, le « Cahier » a changé la semaine suivante selon leurs volontés. C’était comme perdre ses bijoux ou ses mains.

Celso Dias, un ami qui m’a vu chuter plusieurs fois et a toujours eu de bons mots pour en parler, lorsque je lui ai assuré que je n’avais fait aucune provocation, m’a répondu : « Tu es la provocation-même, Juremir ». Le groupe Record se préparait à un combat sans gloire : réélire l’incompétent et négationniste Jair Bolsonaro. Bien qu’insignifiant, j’étais considéré comme une épine dans le pied ou un caillou dans le soulier. L’évêque, le patron à la solde des décideurs, n’a daigné me donner aucune explication valable. Stratégiquement, il a allégué le fait qu’ils avaient le droit de vouloir changer. Je ne détesterai pas le Correio do Povo, tout comme je ne déteste pas Rádio Guaíba ou Zero Hora. Ce sont les gens qui décident. Et défilent le plus grand mal que j’ai connu au Brésil, Jair Bolsonaro, et la maladie correspondante, le bolsonarisme. Cela passera. Les dégâts resteront.

Traduit du Portugais par Marianne Celka

 


[1] « Tout le monde doit acheter un fusil. Un peuple armé ne sera jamais esclave. Je sais que cela coûte cher. Et voilà qu’un idiot réclame : "ce que nous devons acheter, c’est des haricots". Mec, si tu ne veux pas acheter un fusil, n'emmerde pas celui qui veut en acheter un », Bolsonaro à Brasilia, le 27 août 2021 [ndlr].

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